​“Empresários devem reduzir gastos, manter os pés no chão e trabalhar duro”

Última atualização: 04/01/2016 12:00:00

Mais um ano começa e com ele a expectativa
de melhorias, principalmente na economia e na qualidade de vida da população.
Enquanto esses desejos não se tornam realidade, a classe empresarial deve se
adequar e buscar alternativas. É o que afirma o presidente da Associação
Empresarial de São Miguel Oeste (Acismo), Vilmar Lima de Souza. Para ele, o ano
de 2015 foi de ajustes e 2016 de desafios.

Souza ressalta que em 2015 os
empresários precisaram medir seus potenciais administrativos para continuar no
mercado. Conforme ele, o Brasil vinha de uma economia onde se comprava de tudo,
mesmo sem grandes necessidades. Existia crédito abundante, taxas de juros
aceitáveis e, de uma hora para outra, tudo isso deixou de existir. “Foi aí que
o empresário precisou ser guerreiro para suportar a queda violenta nas vendas e
a redução de créditos”, comenta.

Ele acredita que a alta na inflação,
a queda do poder de compra e o momento de crise, serviram para fortalecer ainda
mais os empresários que, a partir de agora, devem encontrar novas alternativas
para continuar de portas abertas e buscar crescer ao mesmo tempo. “A margem de
lucro será menor, não há gordura para queimar e só criatividade e inovação que
poderão alavancar novamente os negócios”, acrescenta.

Apesar da boa expectativa de alguns,
a previsão dos economistas para este ano teve nova piora, com mais inflação e
uma contração maior da economia. Os dados fazem parte de uma pesquisa feita
pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras.

Em 2016, a previsão é de que a
inflação fique em 6,87%, bem acima da meta central de inflação, de 4,5%, fixada
para 2017. Também permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas
brasileiro.

Apesar disso, para Souza, a
expectativa é de que a taxa de juros caia, que o crédito para investimento
retorne, o dólar estabilize e aumente o Produto Interno Bruto (PIB). “Só assim
teremos um crescimento. É evidente que estas expectativas não dependem só do
governo, depende muito da economia e de que as empresas contribuam para isso e,
nós empresários, nos mantenhamos firmes, com um propósito de união e
associativismo para enfrentar este desafio”, ressalta.

Produto Interno Bruto

Para o PIB de 2015, o mercado
financeiro passou a prever uma contração de 3,71%, contra a estimativa anterior
de uma queda de 3,7%. Se confirmado (o número oficial só será divulgado em
março), será o pior resultado em 25 anos, quando foi registrada uma queda de
4,35%.

Para 2016, os economistas das
instituições financeiras aumentaram de 2,81% para 2,95% a expectativa de
retração na economia do país. Esta foi a décima terceira queda seguida na
previsão do mercado para o PIB do próximo ano.

Se a previsão se concretizar, será a
primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia –
a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), tem início em 1948.

O PIB é a soma de todos os bens e
serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de
quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. No
mês passado, a “prévia” do PIB do Banco Central (BC) indicou uma
contração de 3,38% até setembro.

Taxa de juros

Após o Banco Central ter mantido os
juros estáveis em 14,25% no fim de novembro, o maior patamar em nove anos, o
mercado manteve a estimativa de que os juros voltarão a subir em janeiro deste
ano, para 14,75% ao ano.

Para o fim de 2016, a estimativa
subiu de 14,75% para 15,25% ao ano – o que pressupõe novos aumentos dos juros
básicos da economia no decorrer do ano que vem.

A taxa básica de juros é o principal
instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de
metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para
atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o
consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

Câmbio, balança e investimentos

A projeção do mercado financeiro para
a taxa de câmbio no fim de 2016 subiu de R$ 4,20 para R$ 4,21.

A projeção para o resultado da
balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em
2015 ficou inalterada em US$ 15 bilhões de resultado positivo. Para 2016, a
previsão de superávit subiu de US$ 33 bilhões para US$ 35 bilhões.

Para 2015, a projeção de entrada de
investimentos estrangeiros diretos no Brasil avançou de US$ 63 bilhões para US$
63,37 bilhões. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte ficou
inalterada em US$ 55 bilhões.

Por fim, Lima acredita que o ano será
de muito trabalho, dedicação, planejamento e redução de gastos. “Devemos ter um
ano de muito trabalho, dedicação, planejamento, usar a tecnologia para redução
de gastos, mas com os pés no chão, dentro da realidade do país,” finaliza.

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